terça-feira, 11 de novembro de 2014

ELE É NOVIDADE, EMBORA NÃO SEJA. (MAGNETISMO)



Do que estou falando? Do Magnetismo. E onde ele é novidade, embora não seja? No meio espírita.

Isso é deveras impressionante. Não por ser ou deixar de ser novidade, mas por não termos tido olhos de ver o que Allan Kardec nos deixou.

O que hoje chamamos de passes ele chamava de ação magnética; a hoje denominada água fluida ou fluidificada era por ele indicada como água magnetizada; passistas eram magnetizadores enquanto a mediunidade curadora foi reduzida à ação de frágeis médiuns passistas… E assim seguimos desnaturando e desconfigurando o que a base espírita tão bem estabeleceu.

Alguns acham que tudo não passa de uma questão semântica, etimológica ou de terminologia, o que, convenhamos, é tentar minimizar danos. Senão vejamos o que temos hoje, em comparação ao que se verificava no tempo de Kardec, tomando por base apenas um fator: o tempo (e vou utilizar apenas este como ponderação, embora existam outros e alguns até com mais relevância ainda, mas que a eles me referirei noutros artigos):

Passe: um passe, ensina a maioria das Casas Espíritas, não precisa ser demorado, via de regra chegando ao tempo máximo de 2 minutos; uma ação magnética real muito raramente era inferior a 30 minutos;

Água fluidificada: a quase totalidade dos Centros Espíritas acredita que os Espíritos a fluidifiquem, mas quando usam um passista nessa ocupação, no prazo de um ou dois minutos eles são(?) capazes de fluidificar uma centena ou mais de vasilhames, não importando a capacidade dos mesmos; para Kardec assim como para os Espíritos da
Codificação, quem magnetiza a água é o magnetizador (LM- Cap. 8, item,131: “O Espírito atuante é o do magnetizador, quase sempre assistido por outro Espírito. Ele opera uma transmutação por meio do fluido magnético”) e este costumava demorar em torno de 15 minutos num único vasilhame;

Passistas: acreditando que são apenas “canais” da Espiritualidade, eles não precisam demandar tempo em suas ações, posto que os Espíritos fazem tudo (até porque é alegado que não somos nós quem fazemos e sim eles); já os magnetizadores, conscientes de sua participação ativa e concentrada nas atividades magnéticas, precisam de longa preparação teórica e prática, além de ‘manipularem’ os fluidos por bastante tempo em cada sessão magnética.

Médiuns passistas: além de Allan Kardec não ter criado esse neologismo, estes não precisam de tempo para iniciarem os passes, enquanto os magnetizadores costumavam demandar um tempo médio de 5 a 10 minutos só para estabelecer relação magnética com o paciente para, só então, iniciarem a ação magnética propriamente dita.
  
 Além dessas ponderações, as dificuldades de se buscar base e dados na obra do mestre lionês, tomando-se por referência os termos hoje em voga, torna o esforço quase infrutífero, pois as informações não batem. E quando nos lembramos que ele tinha trinta e cinco anos de experiência como magnetizador quando codificou o Espiritismo e, portanto, sabia do que falava e sugeria, fica muito esquisito pensar que ele tivesse esquecido de deixar lastro nesse caminho abençoado que é o do Magnetismo.

Mas mantenhamos a esperança; ainda há tempo de abrirmos os olhos e percebermos mais claramente o que nossa curta visão tem-nos impedido de observar com mais proveito.

Como anotou Michaelus, no primeiro capítulo de sua notável obra ‘Magnetismo Espiritual’, publicada pela FEB: “Os homens opõem obstáculos ao descobrimento das próprias verdades indispensáveis ao seu progresso e à sua felicidade”. Que tal andarmos para frente?
ARTIGO ESCRITO POR JACOB MELO, PUBLICADO NA EDIÇÃO DE ABRIL/2013 DO JORNAL CORREIO ESPÍRITA DO RIO DE JANEIRO.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

COMO ENTENDER A ORTODOXIA - PARTE II

Nelson Costa da Silva

A Doutrina dos Espíritos nos lança a uma ordem tão grandiosa de estudos, que este só pode ser feito por pessoas sérias, perseverantes, isentas de toda e qualquer prevenção e com uma vontade firme de se esclarecer. Não o podem aqueles que a seguem levianamente, que não dão aos estudos seqüência, regularidade ou a cautela necessária.

Aqueles que não queiram estudar, ou que aderem por aderir, aceitando tudo que se lhes apresenta como se espiritismo fosse, apenas para não perder a pose de homens de espírito, que se empenham em ridicularizar aos que tomam o estudo e as pesquisas como coisa séria, ou aqueles que tentam tornar como ridículo o esforço e a dedicação de se apresentar o Espiritismo em seu viés filosófico com as conseqüências morais, assim como o de demonstrar a utilidade para o avanço da ciência, que se calem em suas críticas inócuas; ninguém tenciona impor-lhes a mudança nas suas crenças espiritualistas, ninguém tenciona violentá-los nas suas convicções, mas que saibam, no entanto, respeitar a convicção dos que defendem a coerência doutrinária Espiritista.

O movimento que torna forte a manutenção da Ortodoxia dos Ensinamentos dos Espíritos é um movimento formado por pessoas comprometidas com a base desses ensinamentos, em toda a extensão das obras que compõem a Doutrina dos Espíritos. A coerência será defendida pela convicção de que o que está postulado ao longo da gênese do Espiritismo foi construído com a mais cuidadosa lógica e a mais apurada racionalidade, não havendo, até os dias atuais, alguém que pudesse contestar essa lógica ou que pudesse desacreditá-la com a razão.

Então dizem que o movimento em prol dessa Ortodoxia e que as pessoas concordantes com os avanços filosóficos e científicos do Espiritismo não passam de iludidos, retrógrados e fundamentalistas. Não se pode admitir a pretensão de alguns críticos que julgam ter o privilégio do bom senso e que, desrespeitando a decência ou o valor moral das pessoas que se aliam à idéia do movimento pela coerência e ortodoxia, os tacham, sem nenhuma cerimônia, de tolos todos aqueles que não estejam de acordo com as suas opiniões espiritualistas.

Aos olhos de todas as pessoas sensatas, ajuizadas, um movimento dessa natureza constituirá sempre um resgate aos fundamentos de base da Doutrina Espírita; constituirá sempre a propagação da coerência para as coisas do espírito, preservando as suas estruturas doutrinárias. E a esse movimento, faz-se mister salientar que a seu favor conta a lhe dar rumo e propósito, a atenção de homens sérios que não se dignam a propagar erros, enganos ou ilusões, e que não têm, também, tempo para perder com futilidades.

Quando se fala e se pratica a Ortodoxia Espírita é para combater, no terreno intelectual, o intenso e nocivo religiosismo e misticismo implantados, ao longo de mais de um século, ao movimento espírita atual. E combater não quer dizer atacar as pessoas que professam esse sistema de crença construído tal qual uma colcha de retalhos, ou rejeitar as pessoas que aderem a um espiritismo híbrido. O combate está proposto na divulgação e esclarecimentos coerentes com a base dos ensinamentos ditados pelos espíritos que compuseram a codificação Espírita. O combate está proposto na demonstração e fundamentação do atraso que causa ao indivíduo, quando não percebe a essência desses ensinamentos filosóficos, e quando não percebe o caráter progressista da Doutrina Espírita, ao ignorar o convite que a doutrina faz para que cada um a entenda em sua profunda filosofia e científica construção. A filosofia é a que dará ao indivíduo o suporte lógico e racional, para compreender os valores morais que alavancam a sua evolução e o seu progresso; e a ciência é a que dará ao indivíduo oportunidades, para que as experiências e as pesquisas das relações entre os mundos material e espiritual possam ser mais bem compreendidas.

Temos hoje o que identificamos como espiritismo híbrido, que é uma variação equivocada do Espiritismo como doutrina. Este [o Espiritismo] não se sustenta sob os pilares de nenhuma religião formal conhecida ou desconhecida. Ele é, especificamente, Filosofia de conseqüências morais e Ciência. Já aquele [o espiritismo híbrido] tem a lhe sustentar um pilar religioso, formal e sincrético, cuja base é a Igreja Católica Apostólica Romana. A criação do espiritismo híbrido, sincrético, com a fusão de dois elementos culturais antagônicos, na intenção de formar uma base de pensamento e prática sustentada num terceiro elemento, acabou formando uma mistura heterogênea, contraditória e paradoxal em si mesma. Enquanto um elemento [cultural] diz não à idolatria, o outro diz sim; enquanto um elemento diz não aos rituais, o outro diz sim; enquanto um elemento diz não à hierarquia, o outro diz sim; enquanto um elemento diz não às imagens e adorações personalizadas, o outro diz sim. O antagonismo cultural e filosófico só não é trágico, porque os interesses dos seus idealizadores superaram o desvio moral com a consciência doutrinária e ideológica.

Esse foi um passo fundamental e antidoutrinário de transformar o Espiritismo em religião – o espiritismo híbrido -, e fez com que os seus seguidores passassem a adorar e idolatrar Jesus e seus prepostos “santos”, colocando-os em patamar inalcançável, fazendo-os acreditar que assim encontrariam o caminho para a cura do sofrimento e das tragédias humanas. Num reduto cultural como o nosso, onde a religiosidade é latente, foram falácia e sofismas muito convenientes para agregar adeptos e lotar auditórios. É mais cômodo entregar os problemas nas "mãos" de Deus e crer que “Jesus salva". Entre todas as religiões podem-se distinguir, nesse panorama universal, quatro grandes tendências, na seguinte classificação: religiões de Integração, religiões de Servidão, religiões de Libertação e religiões de Salvação. Não é difícil saber e entender o porquê da escolha da religião de Salvação, para o sincretismo na Doutrina dos Espíritos. Para séculos de dominação religiosa, nada melhor do que se aliar. E o Espiritismo e a coerência são vilipendiados nos seus alicerces, pois não há movimentos significativos para a crítica e os consequentes esclarecimentos necessários aos adeptos menos esclarecidos.

Como se chegou a essa hibridez é um estudo que será apresentado em outra oportunidade. O interesse e o foco deste ensaio é o de demonstrar de que forma podemos e devemos entender a ortodoxia dos ensinamentos dos Espíritos, ou seja, a coerência da base doutrinária do Espiritismo. E para isso devemos considerar em primeira mão como análise dessa coerência, a fundamentação e a demonstração de o Espiritismo NÃO ser uma religião. E ao mesmo tempo e na mesma demonstração, fundamentar o equívoco perpetrado ao se concretizar, propagar e divulgar o espiritismo híbrido.

Quando Allan Kardec escreveu: "O Espiritismo é o futuro das religiões", muitas pessoas, notadamente aquelas que produziram e praticam o espiritismo híbrido, entenderam e defendem, ainda hoje e erradamente, que o codificador quisera dizer que o Espiritismo “é a religião do futuro”, porém Allan Kardec não tinha por hábito tropeçar intelectualmente na condução das suas idéias. Ele não poderia querer dizer aquilo que não dissera e não escrevera.

O codificador teve um cuidado muito grande para que as pessoas, ao terem contato com os postulados espíritas, entendessem que ali não se criava uma nova religião. E mesmo que não tivesse esse cuidado, a razão já levaria a essa conclusão. Os postulados da Doutrina são inconfundíveis. Mas Allan Kardec ia mais além; toda a vez que tinha oportunidade ou quando era confrontado com a afirmação de que o Espiritismo surgia como mais uma religião, ele, prontamente, rebatia a equivocada compreensão da Doutrina dos Espíritos. Uma das provas nós encontramos na Revista Espírita de maio de 1859, quando da refutação de um artigo do jornal O Universo, no número de 13 de abril daquele mesmo ano, que continha o artigo do senhor abade Chesnel onde a questão do Espiritismo foi longamente discutida, mas que não deixou de ter um erro grave, segundo Allan Kardec, que ele tratou, prontamente, de refutar. O codificador reportava à parte onde o artigo intitulava o Espiritismo como “Uma religião nova em Paris”, e como resposta disse ao longo de sua explanação ao abade:

“Seu verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não de uma religião, e a prova disso é que conta, entre seus adeptos, com homens de todas as crenças, e que por isso não renunciaram às suas convicções: os católicos fervorosos que não praticam menos todos os deveres de seu culto, protestantes de todas as seitas, israelitas, muçulmanos e até budistas e brâmanes; há de tudo, exceto materialistas e ateus, porque essas idéias são incompatíveis com as observações espíritas.”

(...)

“O Espiritismo não é, pois, uma religião: de outro modo teria seu culto, seus templos, seus ministros. Cada um, sem dúvida, pode se fazer uma religião de suas opiniões, interpretar ao seu gosto as religiões conhecidas, mas daí à constituição de uma nova Igreja, há distância, e creio que seria imprudente dar-lhe a idéia.”

(...)

“A Sociedade, da qual falais, definiu seu objetivo por seu próprio título; o nome de: Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas não se parece com nada de uma seita; tem-lhe tampouco caráter, que seu regimento lhe interdita ocupar-se de questões religiosas; ela está alinhada na categoria de sociedades científicas porque, com efeito, seu objetivo é estudar e aprofundar todos os fenômenos que resultam das relações entre o mundo visível e o mundo invisível;”

Allan Kardec ainda disse mais: que o Espiritismo não formava homens ateus, mas isso não implicava, de modo algum, que aqueles que o seguissem fossem novos formandos religiosos. (grifo meu)

Como conseqüência filosófica o Espiritismo não nega Deus, não nega a alma, nem a sua individualidade após a morte do corpo físico, nem nega o livre arbítrio do homem, não nega as penas ou as recompensas futuras e, se os negasse, poderia ser considerada uma doutrina imoral. Ao contrário, o Espiritismo prova, não pela fé cega, mas pelos fatos, todas as bases fundamentais da religião, para demonstrar que o mais perigoso inimigo do homem é o materialismo. Ele ensina, pela resignação, a suportar dores e misérias da vida, minorando o desespero; ensina sobre o perdão e sobre o amor.

Então percebemos o acerto na afirmativa de Allan Kardec quando vaticinou ser o Espiritismo “o futuro das religiões”, pois, sem ser este uma religião vem para desempenhar o papel que as religiões omitiram, ao enunciar todas as consequências reservadas ao Espírito com clareza, raciocínio e lógicas irrefutáveis. Tornou claro aquilo que estava obscuro e tornou evidente aquilo que era duvidoso. O Espiritismo, sem ser uma religião, deveria ser uma ferramenta de conhecimento obrigatória para todas elas, pois ao invés de acompanhar impotente a perdição de almas, ele salva almas.


Deixar a Doutrina dos Espíritos em seu estado genésico e básico é de fundamental importância para o resgate do processo de evolução e progresso dos espíritos. Seguir a coerência com que o compêndio Espírita foi formulado é demonstrar sabedoria e lucidez intelectual. O Espiritismo é progressista pela natureza das suas bases e pelos seus objetivos, já que se sustenta nas Leis Divinas e Naturais. Aquilo que a ciência revelar, o Espiritismo dará curso, conforme orientações e esclarecimentos dos Espíritos da codificação, ao sugerirem que muitas coisas ainda não nos foram dadas conhecer, mas que a ciência se ocupará delas. E é para isso que devemos trabalhar, pelo esclarecimento e pelas pesquisas, e acima de tudo pela compreensão correta do que é o Espiritismo, ou a Doutrina dos Espíritos.

Fonte; NEFCA - NÚCLEO ESPÍRITA DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS APLICADAS

ESTUDO SOBRE AS CURAS DE JESUS SEGUNDA PARTE

Durante um dia e meio nós nos detivemos a estudar as Curas de Jesus, conforme estão colocadas em A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo - Capítulo XV - Os milagres do Evangelho - Curas, itens 10 a 28.

A explicação teórica desses fenômenos de curas operadas por Jesus, está em A Gênese, cap. XIV - Os fluidos - II - Explicação de alguns fenômenos considerados sobrenaturais – Curas, itens 31 a 34.

Nossos principais objetivos para esse estudo eram dois:

1. Conhecer melhor Jesus, como Modelo e Guia (tendo em vista que Modelo é para ser imitado, e Guia para ser seguido);

2. Observar as características daqueles que foram curados por Jesus.

Uma observação feita pelo grupo é que em alguns casos, após curar o doente, Jesus dizia: “Tua fé te salvou”, e em outros ele falava diferente. Isso foi destacado em cada cura, para que pudéssemos observar melhor as circunstâncias em que Jesus diz uma ou outra coisa, e entender o porquê dessa diferença.

Outra observação é que para alguns a quem Jesus curava, ele recomendava que não dissesse a ninguém sobre a cura, e para outros pedia que fosse mostrar-se aos sacerdotes. Ao final colocaremos o nosso entendimento sobre essa questão.

Para que nossas reflexões não se perdessem com o tempo, e para um melhor aproveitamento desses estudos, fizemos um resumo dos comentários e destaques dos textos feitos pelos participantes, e incluímos ao final as comunicações recebidas dos Espíritos, uma vez que nossos estudos sempre são feitos com a participação dos Espíritos, conforme fazia, e ensinava a fazer, nosso mestre Allan Kardec.

Estudo do dia 07 de julho de 2013 – itens 24 a 28

Cego de nascença

24. Ao passar, viu Jesus um homem que era cego desde que nascera; - e seus discípulos lhe fizeram esta pergunta: Mestre, foi pecado desse homem, ou dos que o puseram no mundo, que deu causa a que ele nascesse cego? - Jesus lhes respondeu: Não é por pecado dele, nem dos que o puseram no mundo; mas, para que nele se patenteiem as obras do poder de Deus. É preciso que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem depois a noite, na qual ninguém pode fazer obras. - Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.

Tendo dito isso, cuspiu no chão e, havendo feito lama com a sua saliva, ungiu com essa lama os olhos do cego - e lhe disse: Vai lavar-te na piscina de Siloé, que significa Enviado. Ele foi, lavou-se e voltou vendo claro.

Seus vizinhos e os que o viam antes a pedir esmolas diziam: Não é este o que estava assentado e pedia esmola? Uns respondiam: É ele; outros diziam: Não, é um que se parece com ele. O homem, porém, lhes dizia: Sou eu mesmo. - Perguntaram-lhe então: Como se te abriram os olhos? - Ele respondeu: Aquele homem que se chama Jesus fez um pouco de lama e passou nos meus olhos, dizendo: Vai à piscina de Siloé e lava-te. Fui, lavei-me e vejo. - Disseram-lhe: Onde está ele? Respondeu o homem: Não sei.

Levaram então aos fariseus o homem que estivera cego. - Ora, fora num dia de sábado que Jesus fizera aquela lama e lhe abrira os olhos.

Também os fariseus o interrogaram para saber como recobrara a vista. Ele lhes disse: Ele me pôs lama nos olhos, eu me lavei e vejo. - Ao que alguns fariseus retrucaram: Esse homem não é enviado de Deus, pois não guarda o sábado. Outros, porém, diziam: Como poderia um homem mau fazer prodígios tais? Havia, a propósito, dissensão entre eles.

Disseram de novo ao que fora cego: E tu, que dizes desse homem que te abriu os olhos? Ele respondeu: Digo que é um profeta. - Mas, os judeus não acreditaram que aquele homem houvesse estado cego e que houvesse recobrado a vista, enquanto não fizeram vir o pai e a mãe dele - e os interrogaram assim: É este o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora vê? - O pai e a mãe responderam: Sabemos que esse é nosso filho e que nasceu cego; - não sabemos, porém, como agora vê e tampouco sabemos quem lhe abriu os olhos. Interrogai-o; ele já tem idade, que responda por si mesmo.

Seu pai e sua mãe falavam desse modo, porque temiam os judeus, visto que estes já haviam resolvido em comum que quem quer que reconhecesse a Jesus como sendo o Cristo seria expulso da sinagoga. - Foi o que obrigou o pai e a mãe do rapaz a responderem: Ele já tem idade; interrogai-o.

Chamaram segunda vez o homem que estivera cego e lhe disseram: Glorifica a Deus; sabemos que esse homem é um pecador. Ele lhes respondeu: Se é um pecador, não sei, tudo o que sei é que estava cego e agora vejo. - Tornaram a perguntar-lhe: Que te fez ele e como te abriu os olhos? - Respondeu o homem: Já vo-lo disse e bem o ouvistes; por que quereis ouvi-lo segunda vez? Será que queirais tornar-vos seus discípulos? - Ao que eles o carregaram de injúrias e lhe disseram: Sê tu seu discípulo; quanto a nós, somos discípulos de Moisés. - Sabemos que Deus falou a Moisés, ao passo que este não sabemos donde saiu.

O homem lhes respondeu: É de espantar que não saibais donde ele é e que ele me tenha aberto os olhos. - Ora, sabemos que Deus não exalça os pecadores; mas, àquele que o honre e faça a sua vontade, a esse Deus exalça. - Desde que o mundo existe, jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. - Se esse homem não fosse um enviado de Deus, nada poderia fazer de tudo o que tem feito.

Disseram-lhe os fariseus: Tu és todo pecado, desde o ventre de tua mãe, e queres ensinar-nos a nós? E o expulsaram. (S. João, 9:1 a 34.)

25. Esta narrativa, tão simples e tão ingênua, traz em si um caráter evidente de veracidade. Nada há de fantástico, nem de maravilhoso; é uma cena da vida real apanhada em flagrante. A linguagem do cego é exatamente a desses homens simples, nos quais o bom-senso supre o saber e que retrucam com bonomia aos argumentos de seus adversários, opondo razões a que não faltam justeza, nem oportunidade. O tom dos fariseus não é o desses orgulhosos que nada admitem acima de sua inteligência, e que ficam indignados com o só pensamento de que um homem do povo possa lhes servir de exemplo? Afora a cor local dos nomes, dir-se-ia ser do nosso tempo o fato.

Ser expulso da sinagoga equivalia a ser posto fora da Igreja. Era uma espécie de excomunhão. Os espíritas, cuja doutrina é a do Cristo interpretada conforme o progresso das luzes atuais, são tratados como os judeus que reconheciam em Jesus o Messias. Excomungando-os, a Igreja os põe fora de seu seio, como fizeram os escribas e os fariseus com os partidários de Jesus. Assim, eis um homem que é expulso porque não pode crer que aquele que o curou seja um possesso do demônio, e porque glorifica a Deus pela sua cura!

Não é o que se faz com relação aos espíritas? O que eles obtêm: sábios conselhos dos Espíritos, o retorno a Deus e ao bem, curas, tudo é obra do diabo e se lhes lança o anátema. Não se têm visto padres dizerem, do alto do púlpito, que é melhor uma pessoa conservar-se incrédula do que recobrar a fé por meio do Espiritismo? Não há os que dizem a doentes que estes não deviam ter procurado curar-se com os espíritas que possuem esse dom, porque esse dom é satânico? Não há os que pregam que os necessitados não devem aceitar o pão que os espíritas distribuem, por ser do diabo esse pão? Que outra coisa diziam ou faziam os padres judeus e os fariseus? Aliás, fomos avisados de que tudo hoje tem que se passar como ao tempo do Cristo.

A pergunta dos discípulos: Foi algum pecado deste homem que deu causa a que ele nascesse cego? revela que eles tinham a intuição de uma existência anterior, pois, do contrário, ela careceria de sentido, visto que um pecado somente pode ser causa de uma enfermidade de nascença, se cometido antes do nascimento, portanto, numa existência anterior. Se Jesus considerasse falsa semelhante ideia, ter-lhes-ia dito: “Como houvera este homem podido pecar antes de ter nascido?” Em vez disso, porém, diz que aquele homem estava cego, não por ter pecado, mas para que nele se patenteasse o poder de Deus, isto é, para que servisse de instrumento a uma manifestação do poder de Deus. Se não era uma expiação do passado, era uma provação apropriada ao progresso daquele Espírito, porquanto Deus, que é justo, não lhe imporia um sofrimento sem utilidade.

Quanto ao meio empregado para a sua cura, evidentemente aquela espécie de lama feita de saliva e terra nenhuma virtude podia encerrar, a não ser pela ação do fluido curativo de que fora impregnada. É assim que as mais insignificantes substâncias, como a água, por exemplo, podem adquirir qualidades poderosas e efetivas, sob a ação do fluido espiritual ou magnético, ao qual elas servem de veículo, ou, se quiserem, de reservatório. (O cego de nascença - A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XV - Os milagres do Evangelho - Curas - O cego de nascença, itens 24 e 25.)

Comentários e destaques feitos pelos participantes:

- Nesta passagem o doente não foi ter com Jesus para lhe pedir que o curasse; ele era cego, mas, “ao passar”, Jesus o viu e compadeceu-se do seu sofrimento. Jesus vai até o cego e o cura, utilizando-se do recuso do magnetismo.

- Três passagens foram destacadas e bastante comentadas pelo grupo:

1. “Salvo a cor local dos nomes, dir-se-ia ser do nosso tempo o fato.”

2. “Ser expulso da sinagoga equivalia a ser posto fora da Igreja. Era uma espécie de excomunhão. Os espíritas, cuja doutrina é a do Cristo interpretada conforme o progresso das luzes atuais, são tratados como os judeus que reconheciam em Jesus o Messias. Excomungando-os, a Igreja os põe fora de seu seio, como fizeram os escribas e os fariseus com os partidários de Jesus.”

3. “Não é o que se faz com relação aos espíritas? O que eles obtêm: sábios conselhos dos Espíritos, o retorno a Deus e ao bem, curas, tudo é obra do diabo e se lhes lança o anátema.”

Especialmente esta última fala de Kardec nos chamou a atenção por ainda ser atual nos dias de hoje, mesmo tendo transcorrido cerca de um século e meio após ter sido dita. Todavia, os que lançavam anátema contra os espíritas eram os adversários do Espiritismo, enquanto hoje o é pelos próprios espíritas. A evocação dos Espíritos, para obter deles sábios conselhos, é tida como heresia por boa parte dos espíritas, que nesse ponto seguem a lei de Moisés, que proibiu essa prática. Insistir é correr o risco de ser expulso do Centro. Falar da mediunidade curadora, que Kardec tanto incentivou por ser um excelente meio de divulgação do Espiritismo, é quase uma blasfêmia. (Veja-se O Céu e o Inferno - Primeira Parte – Doutrina, cap. XI - Da proibição de evocar os mortos: http://www.ipeak.com.br/site/indicar_pagina_res.php?secao=estudo&id=6966&idioma=1).

- Kardec aproveita sempre a oportunidade de enaltecer o homem simples e de bom senso em oposição ao homem orgulhoso. Destacamos a sua observação quanto à atitude do cego diante de seus interrogadores: Esta narrativa, tão simples e tão ingênua, traz em si um caráter evidente de veracidade. Nada há de fantástico, nem de maravilhoso; é uma cena da vida real apanhada em flagrante. A linguagem do cego é exatamente a desses homens simples, nos quais o bom-senso supre o saber e que retrucam com bonomia aos argumentos de seus adversários, opondo razões a que não faltam justeza, nem oportunidade.
   
Numerosas curas operadas por Jesus

 26. Jesus ia por toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todos os langores e todas as enfermidades no meio do povo. - Tendo-se a sua reputação espalhado por toda a Síria; traziam-lhe os que estavam doentes e afligidos por dores e males diversos, os possessos, os lunáticos, os paralíticos e ele a todos curava. - Acompanhava-o grande multidão de povo da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judéia e de além Jordão. (S. Mateus, 4:23 a 25.)

27. De todos os fatos que dão testemunho do poder de Jesus, os mais numerosos são, não há contestar, as curas. Ele queria provar com isso que o verdadeiro poder é o do bem; que o seu objetivo era ser útil, e não o de satisfazer à curiosidade dos indiferentes, por meio de coisas extraordinárias.

Aliviando os sofrimentos, prendia a si as criaturas pelo coração e fazia prosélitos mais numerosos e sinceros, do que se apenas os maravilhasse com espetáculos para os olhos. Daquele modo, fazia-se amado, ao passo que se se limitasse a produzir surpreendentes fatos materiais, conforme os fariseus reclamavam, a maioria das pessoas não teria visto nele senão um feiticeiro, ou um mágico hábil, que os desocupados iriam apreciar para se distraírem.

Assim, quando João Batista manda, por seus discípulos, perguntar-lhe se ele era o Cristo, a sua resposta não foi: “Eu o sou”, como qualquer impostor houvera podido dizer. Tampouco lhes fala de prodígios, nem de coisas maravilhosas; responde-lhes simplesmente: “Ide dizer a João: os cegos veem, os doentes são curados, os surdos ouvem, o Evangelho é anunciado aos pobres.” O mesmo era que dizer: “Reconhecei-me pelas minhas obras; julgai da árvore pelo fruto”, porquanto era esse o verdadeiro caráter da sua missão divina.

 28. É também pelo bem que faz que o Espiritismo prova a sua missão providencial. Ele cura os males físicos, mas cura principalmente as enfermidades morais, e são esses os maiores prodígios pelos quais ele se afirma. Seus mais sinceros adeptos não são os que foram tocados pela visão de fenômenos extraordinários, mas aqueles que foram tocados no coração pela consolação: os que se libertaram das torturas da dúvida; aqueles cuja coragem foi fortalecida nas aflições, que hauriram a força na certeza do futuro que o Espiritismo lhes veio trazer, no conhecimento do seu ser espiritual e de seus destinos. Esses os de fé inabalável, porque sentem e compreendem.

Os que veem no Espiritismo unicamente efeitos materiais não podem compreender sua força moral. Daí vem que os incrédulos, que apenas o conhecem através de fenômenos cuja causa primária não admitem, consideram os espíritas meros prestidigitadores e charlatães. Não é, pois, por meio de prodígios que o Espiritismo triunfará da incredulidade: é multiplicando seus benefícios morais, pois se os incrédulos não admitem os prodígios, eles conhecem, como toda gente, o sofrimento e as aflições, e ninguém recusa alívio e consolação. (Numerosas curas operadas por Jesus - A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XV - Os milagres do Evangelho - Curas - Numerosas curas operadas por Jesus, itens 26 a 28.)

 Comentários e destaques feitos pelos participantes:

- Interessante notar que Jesus ia por toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do reino e curando todos os langores e todas as enfermidades no meio do povo. (...) traziam-lhe os que estavam doentes e afligidos por dores e males diversos, os possessos, os lunáticos, os paralíticos e ele a todos curava. (Vale lembrar que curar não é o mesmo que salvar).

- E se um Espírito puro encarnasse na Terra hoje, o que faria?

Pois Jesus é um Espírito puro, e vejamos com o que se ocupava: De todos os fatos que dão testemunho do poder de Jesus, os mais numerosos são, não há contestar, as curas. Ele queria provar com isso que o verdadeiro poder é o do bem; que o seu objetivo era ser útil, e não o de satisfazer à curiosidade dos indiferentes, por meio de coisas extraordinárias.

Aliviando os sofrimentos, prendia a si as criaturas pelo coração e fazia prosélitos mais numerosos e sinceros, do que se apenas os maravilhasse com espetáculos para os olhos.

- A humildade de um Espírito como Jesus muitas vezes choca, pois para os homens, ainda orgulhosos e egoístas, dar provas de devotamento e abnegação é sinal de baixeza, de fraqueza moral. No entanto, um Espírito puro vem justamente para nos ensinar o que são essas virtudes. Isso fica evidente neste trecho: Quando João Batista manda, por seus discípulos, perguntar-lhe se ele era o Cristo, a sua resposta não foi: “Eu o sou”, como qualquer impostor houvera podido dizer. Tampouco lhes fala de prodígios, nem de coisas maravilhosas; responde-lhes simplesmente: “Ide dizer a João: os cegos veem, os doentes são curados, os surdos ouvem, o Evangelho é anunciado aos pobres.” O mesmo era que dizer: “Reconhecei-me pelas minhas obras; julgai da árvore pelo fruto”, porquanto era esse o verdadeiro caráter da sua missão divina.

Eis aí o Modelo e Guia, para quem deseja aproximar-se do Pai.

 Após o estudo dos textos acima, evocamos nossos Guias para nos trazerem conselhos e encorajamentos. Recebemos as seguintes comunicações:
   
“Viemos trazer o calor nestes dois dias para aquecer vossos corações. Agora cabe a cada um manter essa chama acesa e multiplicar o calor, fazendo esforços para curar-se das chagas morais com o auxílio dos Anjos, e, na medida das forças de cada um auxiliar a quem sofre, onde estiver e a cada momento. Digo-vos para que não vacileis, deixando as convenções do mundo impedir-vos de caminhar. Estamos a incentivá-los nesta caminhada.”

 Espírito protetor

Psicografada pelo Sr. C. L., em 07/07/2013.

“Alegrai-vos, amigos, Jesus está convosco!

Vossas reflexões a respeito da vida desse Espírito que vela por vós é grande oportunidade para o vosso progresso. Seus exemplos servem perfeitamente a cada coração aqui presente. Sua vida foi puro amor e bondade; era abnegado em tudo o que fazia, bem o sabeis. Por que é tão difícil, perguntais, seguir seus passos? Não, não é difícil. Lembrai-vos que seu jugo é suave e seu fardo é leve, e quem caminha com o Cristo sente a leveza da vida. O exemplo da simplicidade em que ele vivia, e também seus atos, vos proporcionam diretrizes seguras.

Vivei como ele. Buscai a simplicidade, o bem, com o objetivo de ajudar-vos uns aos outros. Olhando ao redor vereis o quanto podeis ser úteis, servindo ao Pai, como ele o fez. Há tantos irmãos necessitados, e também vós sois desse número. Quando ajudais sois também ajudados, o que constitui oportunidade de crescimento para vossas almas. Tendes a oportunidade, basta querer, confiar e trabalhar. Vossos guias vos auxiliarão sempre, quando o desejo for sincero, quando o bem for o móvel de vossas ações.

Aqui estamos e sempre estaremos, unindo nossos corações aos vossos, quando desejardes. Do amigo de sempre, que deseja amorosamente o progresso de todos.”
  
Demeure.

 Psicografada pela médium Sra. A. M., 07/07/2013.
          
“O homem, na Terra, está sempre em busca da cura do corpo e do alívio para suas dores e é justo que assim seja. Deus, na sua infinita misericórdia, oferece ao homem inúmeras possibilidades para alcançar tal propósito, facilitando assim o progresso a que está destinado o Espírito encarnado.

Assim como empreendeis todos os vossos esforços quando se trata da cura do corpo, deveis dedicar-vos com mais empenho na cura das vossas enfermidades morais, identificando as paixões que paralisam e adoecem vossos Espíritos, empregando o remédio que vos pode curar: caridade e humildade.

Crede, meus amigos, os cegos e paralíticos da alma representam a maior parte da humanidade encarnada em vosso planeta; mas tendes, graças ao ensino dos Espíritos, a certeza de que o Médico das vossas almas está ao alcance de todos, e que o remédio não precisa necessariamente ser amargo.

Jesus continua afrontando, não apenas a proibição de curar aos sábados e os que se consideram donos da verdade; Jesus afronta a descrença, o egoísmo e o orgulho. Ele abre os braços e vos diz: ‘Eis o caminho, podeis ser salvo’. Que afronta poderia ser maior, em vosso século de indiferença moral, do que dizer que o amor pode salvar vossas almas?”

Allan Kardec.

Psicografada pelo Sr. C. M, em 07/07/2013.
   
“Reconhecei-me pelas minhas obras, disse o Mestre.

Olhando, desde tempos longínquos, quantas obras já poderíeis ter realizado, se tivésseis seguido seus exemplos de amor. Uma nova oportunidade desponta e podeis hoje, mais conscientes, serdes beneficiados se fizerdes esforços e tiverdes boa vontade.

A Ciência Espírita aí está, cunhada com tanto zelo a fim de que não reste dúvidas de como podeis traçar vossos caminhos. Vivei-a, para que vossa vontade verdadeira de vitória do bem sobre o mal possa triunfar, e para sairdes dessa encarnação melhorados e mais felizes.

Vivei a caridade, para que sejais reconhecidos pelas vossas obras, tal como o Mestre.”

Erasto

Psicografado pela Sra. J. D. J., em 07/07/2013.

 “Haverá um tempo em que os homens não mais se ferirão, que o amor será compreendido em toda sua amplitude, que a paz reinará, vencendo o egoísmo e o orgulho que hoje imperam no mundo. Tempo, afinal, em que serão compreendidos e vividos os mais importantes mandamentos: amar a Deus em primeiro lugar e ao próximo como a si mesmo.

Espíritas, vós que já compreendeis o supremo apelo, curvai-vos diante de nosso Pai e eliminai de vossa alma o mal que vos impede de praticar prodígios como um dia o fiz quando aí estive, e ainda continuo a vos incentivar, por ser essa a vontade do Pai.

Aproveitai, espíritas, o supremo apelo, e vivei-o! Ele há de vos salvar.”

Espírito de Verdade

Psicografada pela Sra. N. L., em 07/07/2013

Encerramos os nossos estudos com o seguinte preceito:


 Ao verdadeiro espírita jamais faltará bem a fazer; corações aflitos a aliviar; consolações a dar, desesperos a acalmar, reformas morais a operar; aí está a sua missão; aí também ele encontrará sua verdadeira satisfação. (O Livro dos Médiuns, 1ª parte, cap. III, item 30.)

ESTUDO SOBRE AS CURAS DE JESUS - PRIMEIRA PARTE

Durante um dia e meio nós nos detivemos a estudar as Curas de Jesus, conforme estão colocadas em A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo - Capítulo XV - Os milagres do Evangelho - Curas, itens 10 a 28.

A explicação teórica desses fenômenos de curas operadas por Jesus, está em A Gênese, cap. XIV - Os fluidos - II - Explicação de alguns fenômenos considerados sobrenaturais – Curas, itens 31 a 34.

Nossos principais objetivos para este estudo eram dois:

1. Conhecer melhor Jesus, como Modelo e Guia (tendo em vista que Modelo é para ser imitado, e Guia para ser seguido);

2. Observar as características daqueles que foram curados por Jesus.

Uma observação feita pelo grupo é que em alguns casos, após curar o doente, Jesus dizia: “Tua fé te salvou”, e em outros ele falava diferente. Isso foi destacado em cada cura, para que pudéssemos observar melhor as circunstâncias em que Jesus diz uma ou outra coisa, e entender o porquê dessa diferença.

Outra observação é que para alguns a quem Jesus curava, ele recomendava que não dissesse a ninguém sobre a cura, e para outros pedia que fosse mostrar-se aos sacerdotes. Ao final colocaremos o nosso entendimento sobre essa questão.

Para que nossas reflexões não se perdessem com o tempo, e para um melhor aproveitamento desses estudos, fizemos um resumo dos comentários e destaques dos textos feitos pelos participantes, e incluímos ao final as comunicações recebidas dos Espíritos, uma vez que nossos estudos sempre são feitos com a participação dos Espíritos, conforme fazia, e ensinava a fazer, nosso mestre Allan Kardec.

 Estudo do dia 06 de julho de 2013 – itens 10 a 23

 Perda de sangue

 10. Então, uma mulher, que havia doze anos sofria de uma hemorragia; - que sofrera muito nas mãos dos médicos e que, tendo gasto todos os seus haveres, nenhum alívio conseguira - como ouvisse falar de Jesus, veio com a multidão atrás dele e lhe tocou as vestes, porquanto, dizia: Se eu conseguir ao menos lhe tocar nas vestes, ficarei curada. - No mesmo instante o fluxo sanguíneo lhe cessou e ela sentiu em seu corpo que estava curada daquela enfermidade.

Logo, Jesus, conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, se voltou no meio da multidão e disse: Quem me tocou as vestes? - Seus discípulos lhe disseram: Vês que a multidão te aperta de todos os lados e perguntas quem te tocou? - Ele olhava em torno de si à procura daquela que o tocara.

A mulher, que sabia o que se passara em si, tomada de medo e pavor, veio lançar-se-lhe aos pés e lhe declarou toda a verdade. - Disse-lhe Jesus: Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz e fica curada da tua enfermidade. (S. Marcos, 5:25 a 34.)

11. Estas palavras: conhecendo em si mesmo a virtude que dele saíra, são significativas. Exprimem o movimento fluídico que se operara de Jesus para a doente; ambos experimentaram a ação que acabara de produzir-se. É de notar-se que o efeito não foi provocado por nenhum ato da vontade de Jesus; não houve magnetização, nem imposição das mãos. Bastou a irradiação fluídica normal para realizar a cura.

Mas, por que essa irradiação se dirigiu para aquela mulher e não para outras pessoas, uma vez que Jesus não pensava nela e tinha a cercá-lo a multidão?

É bem simples a razão. Considerado como matéria terapêutica, o fluido tem que atingir a matéria orgânica, a fim de repará-la; pode então ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou atraído pelo desejo ardente, pela confiança, numa palavra: pela fé do doente. Com relação à corrente fluídica, o primeiro age como uma bomba calcante e o segundo como uma bomba aspirante. Algumas vezes, é necessária a simultaneidade das duas ações; doutras, basta uma só. O segundo caso foi o que ocorreu na circunstância de que tratamos.

Razão, pois, tinha Jesus para dizer: Tua fé te salvou. Compreende-se que a fé a que ele se referia não é uma virtude mística, qual a entendem muitas pessoas, mas uma verdadeira força atrativa, de sorte que aquele que não a possui opõe à corrente fluídica uma força repulsiva, ou, pelo menos, uma força de inércia, que paralisa a ação. Assim sendo, também, se compreende que, apresentando-se ao curador dois doentes da mesma enfermidade, possa um ser curado e outro não. É este um dos mais importantes princípios da mediunidade curadora e que explica certas anomalias aparentes, apontando-lhes uma causa muito natural. (Cap. XIV, nos 31, 32 e 33.) A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XV - Os milagres do Evangelho - Curas - Perda de sangue, itens 10 e 11.

 Comentários e destaques feitos pelos participantes:

- A mulher que sofria de hemorragia tinha esgotado todos os seus haveres e havia sofrido nas mãos dos médicos, sem lograr a cura de sua enfermidade;

- Teve uma fé ativa e um desejo ardente de curar-se;

- Com confiança ela buscou Jesus, tocou-lhe as vestes e ficou curada;

- Sua fé foi uma verdadeira força atrativa e não uma virtude mística; sua vontade de ser curada agiu como uma bomba aspirante, e não houve intencionalidade de curar por parte de Jesus.

- Jesus diz à mulher: “Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz e fica curada da tua enfermidade.”

Cego de Betsaida

 12. Tendo chegado a Betsaida, trouxeram-lhe um cego e lhe pediam que o tocasse. Tomando o cego pela mão, ele o levou para fora do burgo, passou-lhe saliva nos olhos e, havendo-lhe imposto as mãos, lhe perguntou se via alguma coisa. - O homem, olhando, disse: Vejo a andar homens que me parecem árvores. - Jesus lhe colocou de novo as mãos sobre os olhos e ele começou a ver melhor. Afinal, ficou tão perfeitamente curado, que via distintamente todas as coisas. - Ele o mandou para casa, dizendo-lhe: Vai para tua casa; se entrares no burgo, a ninguém digas o que se deu contigo. (S. Marcos, 8:22 a 26.)

13. Aqui, é evidente o efeito magnético; a cura não foi instantânea, porém gradual e consequente a uma ação prolongada e reiterada, se bem que mais rápida do que na magnetização ordinária. A primeira sensação que o homem teve foi exatamente a que experimentam os cegos ao recobrarem a vista. Por um efeito de óptica, os objetos lhes parecem de tamanho exagerado. Cego de Betsaida - A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XV - Os milagres do Evangelho - Curas - Cego de Betsaida, itens 12 e 13.

Comentários e destaques feitos pelos participantes:

- É notável e comovente a solicitude de Jesus, tomando o cego pela mão e o levando para fora do burgo;

- Jesus passou saliva nos olhos do cego, não como um ritual sem sentido, mas por conhecer os recursos do magnetismo aplicou-o com sucesso;

- Jesus o mandou para casa, dizendo-lhe: Vai para tua casa; se entrares no burgo, a ninguém digas o que se deu contigo.

Paralítico

14. Tendo subido para uma barca, Jesus atravessou o lago e veio à sua cidade (Cafarnaum). - Como lhe apresentassem um paralítico deitado em seu leito, Jesus, notando-lhe a fé, disse ao paralítico: Meu filho, tem confiança; perdoados te são os teus pecados.

Logo alguns escribas disseram entre si: Este homem blasfema. - Jesus, tendo percebido o que eles pensavam, perguntou-lhes: Por que alimentais maus pensamentos em vossos corações? - Pois, que é mais fácil dizer: - Teus pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te e anda?

Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na Terra o poder de remitir os pecados: Levanta-te, disse então ao paralítico, toma o teu leito e vai para tua casa.

O paralítico se levantou imediatamente e foi para sua casa. Vendo aquele milagre, o povo se encheu de temor e rendeu graças a Deus, por haver concedido tal poder aos homens. (S. Mateus, 9:1 a 8.)

15. Que significariam aquelas palavras: “Teus pecados te são remitidos” e em que podiam elas influir para a cura? O Espiritismo lhes dá a explicação, como a uma infinidade de outras palavras incompreendidas até hoje. Por meio da pluralidade das existências, ele ensina que os males e aflições da vida são muitas vezes expiações do passado, bem como que sofremos na vida presente as consequências das faltas que cometemos em existência anterior e, assim, até que tenhamos pago a dívida de nossas imperfeições, pois que as existências são solidárias umas com as outras.

Se, portanto, a enfermidade daquele homem era uma expiação do mal que ele praticara, o dizer-lhe Jesus: “Teus pecados te são remitidos” equivalia a dizer-lhe: “Pagaste a tua dívida; a fé que agora possuis elidiu a causa da tua enfermidade; conseguintemente, mereces ficar livre dela.” Daí o haver dito aos escribas: “Tão fácil é dizer: Teus pecados te são perdoados, como: Levanta-te e anda.” Cessada a causa, o efeito tem que cessar. É precisamente o caso do encarcerado a quem se declara: “Teu crime está expiado e perdoado”, o que equivaleria a se lhe dizer: “Podes sair da prisão.” Paralítico - A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XV - Os milagres do Evangelho - Curas - Paralítico, itens 14 e 15.

 Comentários e destaques feitos pelos participantes:

- Nota-se que Jesus percebia o que os homens pensavam, sem que estes precisassem se expressar por palavras. Isto fica evidente nesta parte do texto: tendo percebido o que eles pensavam, perguntou-lhes: Por que alimentais maus pensamentos em vossos corações?

- Jesus pede ao doente que tenha confiança, então não se tratava de uma fé ativa e ardente, embora o doente tivesse fé;

- A expressão “Tua fé te salvou”, não é empregada;

- Jesus diz: “Meu filho, tem confiança; perdoados te são os teus pecados.”

- A paralisia daquele homem parece ter sido uma expiação que chegara ao fim;

Os dez leprosos

16. Um dia, indo ele para Jerusalém, passava pelos confins da Samaria e da Galileia - e, estando prestes a entrar numa aldeia, dez leprosos vieram ao seu encontro e, conservando-se afastados, clamaram em altas vozes: Jesus, Senhor nosso, tem compaixão de nós. - Dando com eles, disse-lhes Jesus: Ide mostrar-vos aos sacerdotes. Quando iam a caminho, ficaram curados.

Um deles, vendo-se curado, voltou sobre seus passos, glorificando a Deus em altas vozes; - e foi lançar-se aos pés de Jesus, com o rosto em terra, a lhe render graças. Esse era samaritano.

Disse então Jesus: Não foram curados todos dez? Onde estão os outros nove? - Nenhum deles houve que voltasse e glorificasse a Deus, a não ser este estrangeiro? - E disse a esse: Levanta-te; vai; tua fé te salvou. (S. Lucas, 17:11 a 19.)

17. Os samaritanos eram cismáticos, mais ou menos como os protestantes com relação aos católicos, e os judeus os tinham em desprezo, como heréticos. Curando indistintamente os judeus e os samaritanos, dava Jesus, ao mesmo tempo, uma lição e um exemplo de tolerância; e fazendo ressaltar que só o samaritano voltara a glorificar a Deus, mostrava que havia nele maior soma de verdadeira fé e de reconhecimento, do que nos que se diziam ortodoxos. Acrescentando: “Tua fé te salvou”, fez ver que Deus considera o que há no âmago do coração e não a forma exterior da adoração. Entretanto, também os outros tinham sido curados. Fora mister que tal se verificasse, para que ele pudesse dar a lição que tinha em vista e tornar-lhes evidente a ingratidão. Quem sabe, porém, o que daí lhes haja resultado; quem sabe se eles terão se beneficiado da graça que lhes foi concedida? Dizendo ao samaritano: “Tua fé te salvou”, dá Jesus a entender que o mesmo não aconteceu aos outros. Os dez leprosos - A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XV - Os milagres do Evangelho - Curas - Os dez leprosos, itens 16 e 17.

 Comentários e destaques feitos pelos participantes:

- Dando com eles, disse-lhes Jesus: Ide mostrar-vos aos sacerdotes. Quando iam a caminho, ficaram curados. Neste caso Jesus manda aquele aos quais curou irem mostra-se ao sacerdotes.

- Por que mostrar-se aos sacerdotes? Uma possibilidade de resposta é que ao tempo de Jesus o Livro da Vida, isto é, o livro onde se registravam os nascimentos, o que hoje se faz nos cartórios, estava a cargo dos sacerdotes. Quando alguém era acometido pela lepra, que era diagnosticada pelos sacerdotes, o doente era vestido com uma mortalha, rezava-se uma missa fúnebre de corpo presente, e em seguida o enfermo era conduzido para fora dos limites da comunidade, e seu nome era riscado do Livro da Vida, ou seja, era declarado morto. Por essa razão Jesus recomenda aos que foram curados da lepra para irem apresentar-se aos sacerdotes, a fim de que estes, constatando a cura, os incluíssem novamente no Livro da Vida.

Diz o texto: “Estando prestes a entrar numa aldeia, dez leprosos vieram ao seu encontro e, conservando-se afastados, clamaram em altas vozes: “Jesus, Senhor nosso, tem compaixão de nós.” Aqui fica evidente que os doentes estavam fora da aldeia. E a lei ordenava que se mantivessem afastados dos sãos, a uma distância de pelo menos dez metros.

- Jesus disse: Não foram curados todos os dez? Onde estão os outros nove? - Nenhum deles houve que voltasse e glorificasse a Deus, a não ser este estrangeiro? - E disse a esse: Levanta-te; vai; tua fé te salvou.

- Todos foram curados, mas apenas um foi salvo;

- Um deles, vendo-se curado, voltou sobre seus passos, glorificando a Deus em altas vozes. Entendemos que “voltar sobre seus passos”, significa refazer o caminho, mudar de ideia, que é o arrependimento verdadeiro, e também a gratidão em forma de ações;

- Neste caso parece que o que caracterizou a salvação foi, além da fé, a gratidão e a humildade.

- A cura do corpo pode ser feita por médicos, pelo magnetismo e por outros meios, mas a salvação diz respeito à alma, ao seu livre-arbítrio; é uma condição particular que exige um movimento interno do Espírito, um desejo sincero, uma mudança efetiva de comportamento, que vai muito além da recuperação da saúde do corpo. Aquele que foi salvo tinha, no âmago do coração a fé, a humildade e a gratidão.

- O que se nota ainda no texto é que Jesus faz ressaltar o problema da ingratidão.

Mão seca

 18. Doutra vez entrou Jesus no templo e aí encontrou um homem que tinha seca uma das mãos. - E eles o observavam para ver se ele o curaria em dia de sábado, para terem um motivo de o acusar. - Então, disse ele ao homem que tinha a mão seca: Levanta-te e coloca-te ali no meio. - Depois, disse-lhes: É permitido em dia de sábado fazer o bem ou mal, salvar a vida ou tirá-la? Eles permaneceram em silêncio. - Ele, porém, encarando-os com indignação, tanto o afligia a dureza de seus corações, disse ao homem: Estende a tua mão. Ele a estendeu e ela se tornou sã.

Logo os fariseus saíram e se reuniram contra ele em conciliábulo com os herodianos, sobre o meio de o perderem. - Mas, Jesus se retirou com seus discípulos para o mar, acompanhando-o grande multidão de povo da Galileia e da Judéia - de Jerusalém, da Iduméia e de além Jordão; e os das cercanias de Tiro e de Sídon, tendo ouvido falar das coisas que ele fazia, vieram em grande número ao seu encontro. (S. Marcos, 3:1 a 8.) Mão seca - A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XV - Os milagres do Evangelho - Curas - Mão seca, item 18.

 Comentários e destaques feitos pelos participantes:

- Jesus entra no templo e encontra um homem que tinha a mão seca, isto é, paralisada, e o convida a ir para o meio, a fim de que fosse visto por todos. Vale lembrar que Jesus estava sendo observado para ver se curaria em dia de sábado, o que era proibido pela lei de Moisés;

- Jesus não se intimida, porque sua fé é verdadeira e ativa; ele afronta os fariseus, muito apegados à lei, e cura os doentes aos sábados, mostrando com isso que mais importante que o amor à lei é a lei de amor.

A mulher curvada

 19. Todos os dias de sábado Jesus ensinava numa sinagoga. - Um dia, viu ali uma mulher possuída de um Espírito que a punha doente, havia dezoito anos; era tão curvada, que não podia olhar para cima. - Vendo-a, Jesus a chamou e lhe disse: Mulher, estás livre da tua enfermidade. - Impôs-lhe ao mesmo tempo as mãos e ela, endireitando-se, rendeu graças a Deus.

Mas, o chefe da sinagoga, indignado por haver Jesus feito uma cura em dia de sábado, disse ao povo: Há seis dias destinados ao trabalho; vinde nesses dias para serdes curados e não nos dias de sábado.

O Senhor, tomando a palavra, disse-lhe: Hipócrita, qual de vós não solta da carga o seu boi ou seu jumento em dia de sábado e não o leva a beber?[1] - Por que então não se deveria libertar, em dia de sábado, dos laços que a prendiam, esta filha de Abraão, que Satanás conservara atada durante dezoito anos?

A estas palavras, todos os seus adversários ficaram confusos e todo o povo encantado de vê-lo praticar tantas ações gloriosas. (S. Lucas, 13:10 a 17.)

20. Este fato prova que naquela época a maior parte das enfermidades era atribuída ao demônio e que todos confundiam, como ainda hoje, os possessos com os doentes, mas em sentido inverso, isto é, hoje, os que não acreditam nos maus Espíritos confundem as obsessões com as moléstias patológicas. A mulher curvada - A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XV - Os milagres do Evangelho - Curas - A mulher curvada, itens 19 e 20.

Comentários e destaques feitos pelos participantes:

- O sábado era, segundo os judeus, um dia dedicado ao descanso, e por isso não eram permitidas as curas e qualquer outra forma de trabalho, ou tido como tal;

- Jesus vê a mulher e se compadece; chama-a e lhe diz que ela está livre da sua enfermidade. Impõe-lhe as mãos e a livra do mal que a fazia sofrer;

- Neste caso Jesus não fala em salvação, simplesmente livra a mulher de um constrangimento;

- Jesus não se intimida diante da ira dos fariseus, e faz o que sua consciência lhe diz;

- Outro detalhe que ressalta do texto é a observação que Kardec faz ao final: hoje, os que não acreditam nos maus Espíritos confundem as obsessões com as moléstias patológicas.

 Observação: Em nosso grupo constatamos essa realidade com relação à depressão, doença muito comum em nossos dias. Dois casos de depressão grave, que há anos estavam sendo tratadas pelos especialistas terrenos, sem êxito, foram curados pelos meios que a Ciência Espírita indica, pois tratava-se de depressão obsessional. Consultamos os nossos Guias e eles nos disseram que nos dois casos a depressão era uma vingança levada a efeito por Espíritos. Evocados e moralizados os Espíritos obsessores, ambos os deprimidos ficaram curados.

 O paralítico da piscina

 21. Depois disso, tendo chegado a festa dos judeus, Jesus foi a Jerusalém. - Ora, havia em Jerusalém a piscina das ovelhas, que se chama em hebreu Betesda, a qual tinha cinco galerias - onde, em grande número, se achavam deitados doentes, cegos, coxos e os que tinham ressecados os membros, todos à espera de que as águas fossem agitadas - Porque, o anjo do Senhor, em certa época, descia àquela piscina e lhe movimentava a água e aquele que fosse o primeiro a entrar nela, depois de ter sido movimentada a água, ficava curado, qualquer que fosse a sua doença.

Ora, estava lá um homem que se achava doente havia trinta e oito anos. - Jesus, tendo-o visto deitado e sabendo-o doente desde longo tempo, perguntou-lhe: Queres ficar curado? - O doente respondeu: Senhor, não tenho ninguém que me lance na piscina depois que a água for movimentada; e, durante o tempo que levo para chegar lá, outro desce antes de mim. - Disse-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e vai-te. - No mesmo instante o homem se achou curado e, tomando de seu leito, pôs-se a andar. Ora, aquele dia era um sábado.

Disseram então os judeus ao que fora curado: Não te é permitido levares o teu leito. - Respondeu o homem: Aquele que me curou disse: Toma o teu leito e anda. - Perguntaram-lhe eles então: Quem foi esse que te disse: Toma o teu leito e anda? - Mas, nem mesmo o que fora curado sabia quem o curara, porquanto Jesus se retirara do meio da multidão que lá estava.

Depois, encontrando aquele homem no templo, Jesus lhe disse: Vês que foste curado; não tornes de futuro a pecar, para que te não aconteça coisa pior.

O homem foi ter com os judeus e lhes disse que fora Jesus quem o curara. - Era por isso que os judeus perseguiam a Jesus, porque ele fazia essas coisas em dia de sábado. - Então, Jesus lhes disse: Meu Pai não cessa de obrar até ao presente e eu também obro incessantemente. (S. João, 5:1 a 17.)

22. Piscina (da palavra latina piscis, peixe), entre os romanos, eram chamados os reservatórios ou viveiros onde se criavam peixes. Mais tarde, o termo se tornou extensivo aos tanques destinados a banhos em comum.

A piscina de Betesda, em Jerusalém, era uma cisterna, próxima ao Templo, alimentada por uma fonte natural, cuja água parece ter tido propriedades curativas. Era, sem dúvida, uma fonte intermitente que, em certas épocas, jorrava com força, agitando a água. Segundo a crença vulgar, esse era o momento mais propício às curas. Talvez que, na realidade, ao brotar da fonte a água, mais ativas fossem as suas propriedades, ou que a agitação que o jorro produzia na água fizesse vir à tona a vasa salutar para algumas moléstias. Tais efeitos são muito naturais e perfeitamente conhecidos hoje; mas, então, as ciências estavam pouco adiantadas e à maioria dos fenômenos incompreendidos se atribuíam uma causa sobrenatural. Os judeus, pois, tinham a agitação da água como devida à presença de um anjo e tanto mais fundadas lhes pareciam essas crenças, quanto viam que, naquelas ocasiões, mais curativa se mostrava a água.

Depois de haver curado aquele paralítico, disse-lhe Jesus: “Para o futuro não tornes a pecar, a fim de que não te aconteça coisa pior.” Por essas palavras, deu-lhe a entender que a sua doença era uma punição e que, se ele não se melhorasse, poderia vir a ser de novo punido e com mais rigor, doutrina essa inteiramente conforme à do Espiritismo.

23. Jesus como que fazia questão de operar suas curas em dia de sábado, para ter ensejo de protestar contra o rigorismo dos fariseus no tocante à guarda desse dia. Queria mostrar-lhes que a verdadeira piedade não consiste na observância das práticas exteriores e das formalidades; que a piedade está nos sentimentos do coração. Justificava-se, declarando: “Meu Pai não cessa de obrar até ao presente e eu também obro incessantemente.” Quer dizer: Deus não interrompe suas obras, nem sua ação sobre as coisas da Natureza, em dia de sábado. Ele não deixa de fazer que se produza tudo quanto é necessário à vossa alimentação e à vossa saúde; eu lhe sigo o exemplo. (O paralítico da piscina - A Gênese - Os milagres segundo o Espiritismo, cap. XV - Os milagres do Evangelho - Curas - O paralítico da piscina, itens 21 a 23.)

Comentários e destaques feitos pelos participantes:

- Um dos primeiros pontos notados pelo grupo foi a evidência do egoísmo: cada um desejava a cura para si mesmo, e quem pudesse mais, alcançaria a cura nas águas agitadas; o paralítico ali não teria nenhuma chance;

- Outro ponto interessante de ser notado foi a resposta do doente quando Jesus lhe fez a pergunta: Queres ficar curado? - O doente respondeu: Senhor, não tenho ninguém que me lance na piscina depois que a água for movimentada; e, durante o tempo que levo para chegar lá, outro desce antes de mim. - Disse-lhe Jesus: Levanta-te, toma o teu leito e vai-te.

A resposta do doente foi uma lamentação, uma queixa, e não uma resposta positiva e pronta: Quero! Diante de tal resposta, Jesus lhe disse: Levanta-te, toma o teu leito e vai-te.

- Disseram então os judeus ao que fora curado: Não te é permitido levares o teu leito. - Respondeu o homem: Aquele que me curou disse: Toma o teu leito e anda. - Perguntaram-lhe eles então: Quem foi esse que te disse: Toma o teu leito e anda? - Mas, nem mesmo o que fora curado sabia quem o curara, porquanto Jesus se retirara do meio da multidão que lá estava. Nota-se que aquele que recebeu a cura, sequer prestou atenção em quem o curou, o que denota evidente ingratidão.

- Depois, encontrando aquele homem no templo, Jesus lhe disse: Vês que foste curado; não tornes de futuro a pecar, para que te não aconteça coisa pior. Nesta passagem fica claro que aquele homem não foi salvo, mas apenas curado, e que se não houvesse transformação moral, poderia adoecer novamente;

- Aquele era um dia de sábado e os fariseus, apegados às formalidades da lei, lá estavam para lembrar que a lei do repouso não permitia o trabalho aos sábados, sem ao menos notar que aquele homem que agora carregava seu leito, antes era paralítico e fora curado;

- Jesus como que fazia questão de operar suas curas em dia de sábado, para ter ensejo de protestar contra o rigorismo dos fariseus no tocante à guarda desse dia. Queria mostrar-lhes que a verdadeira piedade não consiste na observância das práticas exteriores e das formalidades; que a piedade está nos sentimentos do coração.

Este comentário de Kardec é notável, pois mostra como Jesus, modelo e guia, agia sem pieguice, com humildade e firmeza, para ensinar aos homens o que é devotamento e abnegação.


Após o estudo dos textos acima, fizemos as seguintes perguntas aos nossos Guias:

1. O que significa voltar sobre os próprios passos, a que se refere a passagem dos dez leprosos?

2. Como compreender o que significa a verdadeira gratidão a que também se refere essa mesma passagem, como condição para a salvação?

3. Quais são, como relação ao nosso grupo, os empecilhos para que pratiquemos o bem como propõe Jesus?

Recebemos as seguintes respostas:



            O homem que retornou para agradecer a Jesus foi salvo pois ali está a gratidão, a humildade para reconhecer que foi Deus quem o curou, e que este é o caminho. Olhem o seu próximo, aquele que sofre, com um olhar de compaixão. Uma pequena prece o auxiliará, lhe trará forças morais nos seus embates. Orar pelo próximo é ser grato pelas dádivas recebidas, auxiliando-o a não sofrer.

 Sem nome

Psicografada pelo médium Sr. C. L.


            Por vezes sois acomodados, e o bem exige esforço. A falta de vontade firme é um empecilho para o vosso progresso. A ideia de que sois incapazes, de que é necessário um esforço muito grande, que a perfeição está muito longe, praticamente inalcançável, são preconceitos que vos paralisam e que precisam ser eliminados a fim de que avanceis mais rapidamente.

Psicografada pela adolescente Srta. C. A.

A gratidão é uma virtude que deveis utilizar em cada momento de vossas vidas. É um sentimento de alegria e devoção ao Pai. Ser grato é utilizar todos os recursos que Deus vos oferece para o aperfeiçoamento moral, na prática do bem. É não esquecer-se, ou tapar os ouvidos às Suas leis. É ter fé e coragem para enfrentar o ridículo dos homens.

A gratidão está na prática da justiça, no bem, na vivência dos ensinamentos do Cristo e do Espiritismo. Por isso, não se é grato apenas por não fazer lamentações, mas sim por esse conjunto de fatores.

Sede gratos ao Criador e ao Cristo vivendo seus ensinamentos, está aí a verdadeira gratidão.
  
Paulo, o Apóstolo

Psicografada pela adolescente Srta. C. A.,  em 06/07/2013.

 Deus não espera que o aduleis com palavras, que dirijais a ele pensamentos que lhe deem atributos. Ele é, e, sendo, como por exemplo, amor, o é por excelência.

O ato de gratidão só importa a Deus se consistir para vós no aprendizado da humildade e da submissão, que aumentam a vossa fé.

Cada ato vosso deveria e, será um dia, de gratidão a Deus, pois é ele que tudo nos concede; é ele que nos permite estar ao vosso lado para melhor entenderdes Suas leis.

A própria natureza é um exemplo de gratidão; tudo vibra alegria e sabedoria, que só podemos atribuir a Deus.

Vossos esforços vos pertencem porque Deus vos deu a liberdade de ação, e tanto podem ser esforços para o bem como para o mal. Poderíeis perguntar: e o mal? Bem, o mal é, como bem o sabeis, criação do homem, e Deus o permite, é claro; permite para vos instruir, para que, causado por vós ou acontecendo ao vosso lado, seja então o seu resultado infeliz motivo para que vos desgosteis dele.

Tudo é motivo de gratidão, pois a gratidão vos habilita à humildade e à submissão às leis de Deus, eu o repito.

Sem humildade não retornareis sobre o passo seguro que Jesus propõem; sem abnegação, que é o esquecimento de si mesmo, não vivereis a verdadeira caridade.

Se carregais hoje o peso da expiação, e reconheceis justa a vossa pena, agradecei, para terdes aliviado logo mais o vosso fardo e possais então gozar, não o gozo vazio e passageiro da Terra, mas a exemplo de Jesus, que, pleno de felicidade goza servindo, espalhando amor, apaziguando a humanidade no trabalho de gratidão eterna ao Pai.

 Santo Agostinho.

Psicografada pelo médium Sr. R. A., em 06/07/2013.

[1] A lei Schabbat (sabbat) era bem rigorosa e ia aos mínimos detalhes na proibição de trabalhar aos sábados. No entanto, havia um dispositivo que permitia que se cuidasse dos animais em certos caso, como este: Quando um animal cair num fosso pode-se retirá-lo, se houver risco de morte; deve-se apenas alimentá-lo, se o salvamento não for imediatamente necessário. (Beza, 3:4)

Jesus tem numerosos conflitos com os fariseus por causa da lei do descanso, que proibia a cura aos sábados. No entanto, conhecedor das leis, Jesus não se deixa enganar, e contesta sempre que julga injusto um preceito qualquer da lei, preferindo obedecer a lei de amor, que é a lei de Deus.